Thursday, January 19, 2012

Em uma Bicicleta

Em uma bicicleta você nunca sabe o que vai vir na próxima curva, quando o céu vai abrir e ampliar sua visão ou quando os morros e montanhas que você esta pedalando vão te levar a ver o mar. Quando chegar aos 50, eu provavelmente vou querer pedalar em qualquer clima. Devo colocar qualquer roupa que possuir e pedalar apenas pelo prazer de ver as coisas boas que estão para serem vistas.
            Uma bicicleta é um transporte extremamente desejado por todos nos que temos um coração aberto para novas sensações. Nossas primeiras bicicletas eram para pular meio-fios e quebra-molas, alem de passar por poças de chuva e causar uma grande cascata de água por todos os lados. Era liberdade de ser supervisionado, de ficar preso em carros e ônibus na intenção de chegar a algum lugar. Era nossa primeira vez que não dependíamos de nossos parentes para ir ao cinema, ou a casa de algum amigo. Simplesmente, era a primeira vez que escolhíamos a nossa própria direção.
             Foi a primeira maquina de duas rodas que nós mudávamos de direção por nós mesmos. E talvez por essa razão, nos tenhamos uma intensa afeição por ela, assim como uma memória especifica de cada bicicleta que eram nossas no decorrer dos anos. Eu mesmo, já tive varias bicicletas no decorrer dos anos, uma das que mais me marcaram foi uma antiga Caloi Nylon que tinha umas rodas pesadíssimas, mas muito resistentes. Quase consigo sentir que quando pedalava o dia inteiro nela, o punho que era de um material de borracha que chamávamos de “chiclete”, “punho chiclete”, causava calos fenomenais depois de estar agarrado nele por horas a fio. Elas ficam como velhas amigas, que você não vê há anos, mas que continua vívida na memória. A familiaridade física que você sente em uma bicicleta não se compara a nenhum outro veiculo, não interessa o quanto seja bom de dirigi-lo. Tem horas em que poderia dizer que quase sinto como se a minha bicicleta fosse uma extensão das minhas pernas e braços. Passados mais de 20 anos e continuo sentindo exatamente como era a sensação dos meus tênis velhos agarrados nos pedais da minha BMX cheio de dentes de ferro.
              Mesmo depois de um dia intenso em uma bicicleta, atrás de cada dor e stress de um pedal intenso, tenho a sensação de prazer e tranqüilidade que eu poderei pedalar novamente. Pedalamos-nos para provar que em uma era cientifica e altamente mecanizada, o corpo humano continua sendo o que há de mais especial. No ciclismo, não há proteção especial de metal para proteger-nos dos elementos da natureza, nós temos somente uma leve e fina proteção de lycra, e isso faz desse esporte algo tão severo quanto charmoso.  Os ciclistas experimentam beleza e grandes visões do mundo de uma forma diferente. As decidas a 80 km/h causam uma sensação impar de liberdade, medo e fragilidade. Isso nos faz lembrar que somos humanos e que toda a beleza do mundo a volta esta também composta de algum perigo.
                A bicicleta, não importando a tecnologia envolvida na construção da mesma ou quão avançada seja o material usado, continua sendo impulsionada apenas pelo esforço humano. Apenas suas pernas vão impulsioná-lo a lugares diferentes, você esta na sua própria força, e o limite é você mesmo quem impõe.    
                Nesse momento, eu ainda quero participar de corridas. Tenho essa competitividade constante em mim. Eu entendo que terei poucas oportunidades daqui pra frente de fazer um bom papel, então vou me agarrar como puder.
               O mais importante é que podemos fazer um impacto positivo na vida de muitas pessoas, não apenas as levando para o nosso esporte, mas para qualquer esporte para dizer a verdade. Acho que esta ainda continua sendo a minha maior motivação.

Alberto Jara

Sunday, June 19, 2011

Porque nos pedalamos?



                Talvez você pedale porque é um dos melhores exercícios que existem. Você passa por essa vida com seus batimentos mais baixos quando você esta em repouso (o meu é 52 em repouso, mas já vi gente que é 31) e pernas fortes e grossas e uma confiança que você vera seus netos crescerem ate virarem adultos (Alana, fique tranqüila que não tenho pressa para ver meus netos). Você pode ir para um churrasco e comer uma segunda picanha e beber mais uma cerveja sem ficar com remorso. Pessoas ao redor de você, trabalho, vizinhos, conversam com você como um atleta, simplesmente porque você é um atleta.
                Talvez você pedale simplesmente pela beleza da experiência da pedalada. Você pensa sobre todos os lugares incríveis que já pedalou como plantações infinitas, pedras escorregadias, granitos, estradões de terra, aquelas incríveis single tracks que fluem como água, e as que não fluem tanto, as estradas pavimentadas com perfeição, e as que não são tão perfeitas assim e principalmente você se lembra daquele céu azul em uma fria manha de junho em Brasília e das imagens de nossa cidade ou qualquer outra cidade quando atingimos a parte mais alta das trilhas em volta dela. Você talvez tenha uma emoção a mais quando você atinge altas velocidades em uma descida e passa tão rápido por seu caminho que cria “visão de túnel” enquanto tenta chegar ao seu destino final. Pensa também da elegância de nossas maquinas, sejam Speed ou Mtbike, pensa na sincronia de uma linha de treino dupla como a do Pelotão do lago Sul e de como podemos começar um treinamento estressado e terminar super feliz por aquela overdose de dopamina.
                Ou talvez você sejas um ciclista que é parte de algo maior. Maior que a vida, como os Stormriders do sul da Florida, um grupo que pedala junto para encontrar a cura para esclerose múltipla. Ou se você for realmente super sortudo, você assume seu lugar de direito em um pelotão, seja ele no seu grupo local de pedal, uma corrida de estágios como a Claro Ride ou naquela corrida de 100Km que você treinou meses para terminar bem. Seja qual for o seu pedigree de corredor, todos nos temos a chance de viver a rica tradição do nosso esporte. Você pode realisticamente sonhar de fazer uma corrida nos paralelepípedos da Floresta de Arenberg ou fazer o Le’Etape e sofrer como um louco enquanto tenta fechar os 180Kms e atravessar os Alpes 3 vezes.
                Talvez você tenha ainda melhor razoes que as já descritas pelo qual você pedala. Tem uma boa chance que ciclismo trouxe mais amigos e mais autoconfiança e isso provavelmente tem ensinou algo sobre suas limitações e um pouco de humildade. Eu aposto que isso pode ter te ajudado a usar o seu carro um pouco menos e também te ajudou a aprender a arrumar algo que esta estragado ou quebrado. Talvez tenha ate te ajudado a passar uma fase difícil da sua vida.  
                Ciclismo tem feito TUDO ISSO para mim e algo mais que venho tentando apontar como importante. Eu reduzi meu peso em 23 kilos ate agora. Eu tenho pedalado por pouco mais de 2 anos: treinando, passeando, procurando, escondendo, lendo, participando de corridas,  machucando, recuperando, mas simplesmente, pedalando nas melhores trilhas que eu puder encontrar. O que me leva a pensar que sei exatamente porque comecei a pedalar, e também que eu não tenho mais a menor idéia porque eu continuo pedalando.
                Sortudo que sou, meu filho de 5 anos de idade, me ajudou a descobrir o porque de tudo isso no começo do ano. Em um domingo que eu decidir não ir a nenhuma trilha ou pelotão, foi quando o Lucas aprendeu a andar de bicicletas sem rodinhas. No fim da nossa rua, com uma descida bem suave, foi o lugar escolhido para tal feito. Eu falei com ele que ele conseguiria se ele acreditasse nele mesmo. Ele estava nervoso, então eu falei a ele que ficasse calmo; mantesse os pedais girando e o mais importante, que ele sempre olhasse para frente. Eu o empurrei no canto do fim da rua e corri com ele com a minha mão sobre o pequeno ombro dele por algo como 3 segundos para ajudá-lo a chegar à velocidade certa. Então na nossa terceira tentativa eu finalmente larguei do ombro dele. Ele perdeu o controle, recuperou, dançou de um lado para outro, mas manteve o equilíbrio e ate fez curva ate acabar o pavimento. Enquanto isso tirava minha maquina de filmar e gravava esse grande momento e assistia ele sorrir! Os olhos dele brilhavam como luz do sol e seria errado não chamar esse momento do maior da sua breve vida.
                Acho que é por isso que estamos todos aqui, correto? 

Wednesday, March 2, 2011

Why do we ride?

      Perhaps you do it because is one of the best exercises that is out there. You get to move through life with a low resting heart rate (mine is 52 but heard of people at 31) and strong and thick legs and some real confidence that you will be watching your grandkids grow up (no Alana, I am not in a hurry to see my grandkids). You can go to a barbecue and grab a second burger or an extra beer without a hint of remorse. People in your community, work, neighbors talk to you like you are an athlete-just because you are an athlete.
       Perhaps you ride for the beauty of the experience of riding. You think of all the incredible landscapes you've passed through-the cornfields, the slick rocks, the fire roads, the flowy single tracks, the one's not so flowy, the perfectly paved roads, and those not so perfect and big blue skies or the cityscapes lit up at sunset or the blur of mailboxes and your favorite descent. Think of the elegance of the machines we ride, being it road or mountain bike, the synchrony of a well organized double paceline, the way we can start a ride stressed and end it blissed.
        Or maybe you're a cyclist to be part of something larger. Bigger than life in fact, like the Stormriders, a South Florida group that rides to help find a cure for Multiple Sclerosis. If you are really lucky, you regularly take your rightful place in the pack, whether it's in your hometown ride, an epic mountain bike stage race, or that autumn century ride you trained four months to finish. Whatever you pedigree, we all have a chance to tap into the rich tradition of the sport. You can realistically dream of bouncing back over the cobbles in the Arenberg Forest or hauling yourself up the Tourmalet-or at least of churning up a local climb with your own group.
         You've likely even got more great reasons why you ride. There's a good chance that cycling has brought you more friends and more confidence-and it has probably taught you something about your limitations, too. I bet it's helped you use your car a little bit less. And taught you to fix something. Perhaps it's even helped you get through a tough time in your life.
          Cycling has done all of this for me-and something more that I've been struggling to put a finger on. I have reduced my weight by 50 pounds up to date. I've been biking for more than 2 years now: training, touring, searching, hiding, reading about it, racing, recovering, but mostly, just noodling around on the best trails I could find. Which is to say that I know exactly why I started to ride, and that I have no clue exactly why I keep on riding.
          Luckily, my five year old son helped me figure this out this past month. On a Sunday morning that I decided not to go hit a trail somewhere, that's when Lucas learned how to ride without training wheels. On our dead end street with a slight downward pitch was the place of choice. I told him that he would be able to do without training wheels really quick if he believe in himself. He was nervous, so I told him to stay calm, keep the pedals spinning and mostly important, look always forward. I pushed him off the corner of his small shoulder blade and jogged along him for about 3 seconds to get him up to speed. And then, on our third try, I finally let go. Lucas pedaled and wobbled, but he kept it up until he ran out of pavement. I video taped him, cheering his great moment and watching him smile. His eyes sparkled with sunlight and something else-it would be wrong to call it anything less than pure joy.
           That is why we are all here, right?

Thursday, October 21, 2010

III Desafio das Aguas Quentes

                Estava mais do que simplesmente interessado e ansioso para voltar a escrever nesse blog porque sabia que seria exatamente esse o assunto que iria escrever. A corrida de Caldas Novas! Sai de Brasilia no sabado de manha com o Breno para ficar no apt da esposa do meu pai sem saber extamente o que me esperava e tive a grata surpresa de saber que o lugar e super bacana! Piscinas aquecidas artificialmente, sauna, condominio fechado, tudo de bom e do melhor. O apto em si era espacoso com 3 quartos e 2 suites. Bom, vamos ao que interessa, cheguei para corrida um pouco apreensivo porque sabia que seria dura, mas nao imaginava que seria um teste psicologico de sofrimento. Esse fim de semana ficou marcado pela desorganizacao da prova e por perceber o tanto que os ciclistas comem! Esses caras sao verdadeiros glutoes, nunca vi esses caras comerem tanta comida como vi nesse fim de semana. Acho que cada um deve comer pelo menos 1,5 KG de comida por refeicao e eles se alimentam a cada 3 horas! Impressionante!

               Quanto a prova, larguei as 10:30 AM horario local depois de muita enrolacao e um "showzinho" de free ride de um sujeito chamdo Alex Goncalvez. Logo de cara tinha uma subida de asfalto de uns 4 kilometros, super ingrime e ali mesmo (embora tenha largado em 4th) sobrei do pelotao principal. Me impressiona como esses caras tem gas para acelerar desde o inicio desse jeito. Quando entramos na estrada de chao senti uma mostra do que esta por vir, uma subida de uns 3 kilometros bem ingrime, mas o pior e que estava muito seco e a poeira constante ficava sempre no nariz. Estava mais ou menos posicionado entre 15 e 20 nesse momento e grudei na roda de um pelotao que se formava de MTBikers de Caldas Novas. Desncasei ali por mais ou menos uns 10 minutos e quando puxei para passar fui agraciado por uma bela descida. Ao final da descida, vinha uma sessao de subidas e planos com descidas leves que somado ao calor de 34C e a poeira constante estavm de matar. Consegui despachar esse grupo de Caldas Novas e devo ter recuperado ali umas 3 ou 4 posicoes. O pior estava por vir, no kilometro 10 encontrei um paredao de tirar o folego e que se transformou em um hike a bike para os pau de ratos. Ali encontrei na subida meu amigo Jesus (presuntos do Cerrado), e subindo empurrando nossas bicicletas fomos conversando o tanto que a prova estava dura. Quando chegou no pico do morro que alias tinha uma meta de montanha, nao tinha mais agua no primeiro ponto de reabastecimento, e assim continou ate o KM 20. Assim muitos atletas pelo caminho reclamando de sede e da organizacao da prova, fui ganhando algumas posicoes. E importante lembrar que tinha uma mochila com 3 litros de agua nas costas que todo mundo riu antes do comeco da corrida e agora nao so tinha muita agua para chegar mas ainda dei agua para alguns desesperados que encontrava pelo caminho.
              A corrida continuou ate a chegarmos a uma ponte e umas subidas tecnicas de single track, e o que parecia duro, ficou ainda pior com partes alternadas, hora de descida, hora de subida mas sempre com alto grau tecnico. Finalmente alcancei um ponto de agua no KM 30 e embora ainda tivesse agua, aproveitei para tomar uma aguinha gelada. Dali para frente foi me aguentar ate o final da prova e ser recompensado com um 13th lugar, que nao e nada mal considerando que tinhamos 27 corredores. A meta era de ficar acima dos 50% dos incritos e passei raspando.

Abraco,
Montoya 1st e Abraao 2nd. Quando a prova e mais estardao nao tem pra ninguem, Montoya na cabeca!

Podium Elite feminina

Podium Sub 30 -  Claudinho esta la!!!

Claudinhooooo mandando bem!

Olha o Junior Bombado e o Cicero, ops quero dizer Ciro la!

Preciso de um desses!

Alberto

Saturday, September 18, 2010

Peru Epic - Subida Cerro Punta Blanca - Day 4 - 30Km – 2:00 hs


Showing some buddy love!!

                                                Esse dia começou muito tarde, talvez tenha sido nosso maior erro em uma seqüência de erros que quase acabaram com uma tragédia. Primeiramente saímos muito tarde e sabíamos que so teríamos 1:30 de sol para terminarmos uma subida de 450 metros de ganho de altitude e 6 Km. Segundo erro, como saímos com pressa, não trouxe cartuchos de Co2 ou qualquer tipo de bomba de encher e muito menos câmera de ar. Em um local em que as pedras são pontudas e cortantes só a sorte poderia me ajudar. Terceiro erro, o Luis Fernando estava mordido pela derrota do dia anterior no sprint final de Olleros, então ele decidiu desde o começo que iria colocar um ritmo alucinante para que terminássemos a trilha rapidamente. Mas ele revelou mais tarde que o que ele queria na realidade era nos trucidar no seu quintal de casa em uma trilha que já sabia como dosar seu esforço físico ate o topo. Com isso fomos ficando pelo caminho a medida que subíamos com ele, Chris, AA e eu mesmo não tínhamos ritmo para enfrentar uma subida de uma montanha do jeito que ele queria fazê-la. O AA e o Chris se juntaram atrás e eu tentei acompanhá-lo por ¾ da subida quando percebi que não só não conseguiria acompanhá-lo ate o fim mas iria comprometer a minha descida com uma exaustão acima do normal. Cheguei no começo do downhill técnico e ele já estava me esperando a 2 minutos e sem a menor paciência para esperar os outros dois que estavam por chegar. Ali aconteceu o quarto erro; como não esperamos o AA e o Chris, descemos sem saber ao menos se eles tinham continuado a subida. 
                                            Nesse momento o Luis Fernando achou que tinha visto o Chris abandonar o barco ao afirmar que tinha visto um ciclista sozinho ir embora do alto da montanha na trilha principal. E também afirmou que tinha visto o AA La em cima. Esperamos na parte final do downhill técnico por 15 minutos e nada, dali decidimos que tínhamos que ir atrás do suposto AA que continuou sozinho. Ali aconteceu meu calvário, subir novamente aquele paredão nojento de 450 metros de altitude ate o final e seguir por uma trilha adicional que normalmente não se pedala já que não leva a lugar nenhum. Gritávamos o AA pelo caminho, esperando que o pior não houvesse acontecido que seria ele ter continuado a trilha e descido do outro lado da montanha com a noite a ponto de chegar. Decidimos então, depois de muito procurá-lo que deveríamos ir embora e ai o erro numero 2 vem a tona, com meu pneu explodindo em uma sessão de downhill no escuro. Rasgou de uma maneira que a banda de rodagem abriu um corte de 4 centímetros que mesmo que tivéssemos com câmara, iríamos precisar criar algum tipo de parede entre a câmera e o pneu para evitar a câmera sair pelo rasgo com a pressão do ar. Ficamos ou tentamos ficar calmos com a noite vindo e a temperatura caindo vertiginosamente de 18C para 10C em questão de minutos. Uma opção seria achar uma Llhama mais gordinha para nos aconchegarmos. Com a falta de visão e a ausência de uma LLhama de imediato optamos pela opção numero 2 que seria caminhar os 16 Km de volta ate a Vila de Lurin. Começamos a caminhada e tentando nos manter aquecidos simplesmente tentando não pensar no frio em que estávamos. 
                                          Para adicionar a agonia continuávamos sem saber se o AA tinha terminado a trilha com o Chris ou ainda estava perdido em algum lugar da montanha. De repente, no meio da escuridão sai o Chris, o AA e o Robin como fantasmas e naquele momento sabíamos que estávamos bem. O AA foi correndo e me entregou a sua bicicleta para que pedalasse os Quilômetros finais. O Robin levou minha bicicleta com o pneu rasgado e terminamos a fatídica trilha com a certeza que tínhamos aprendido varias lições. 


Eu e o Luis Fernando perto da Pousada
AA e Chris e ao fundo as montanhas que iríamos subir em minutos...
ganho de altitude de 571 Metros em poucos Kilometros
Pingita de Raton - Pau de Rato em Espanhol (Luis Fer)
Some more "buddy love"...This is getting weird...Na casa do Luis Fer de frente para o mar  no almoco de aniversario do mesmo.
Um momento de descontracao e flatulacao (ficaria marcado pelo 2nd)
Decidindo a melhor rota! Olha o Rio seco na imagem, local por onde pedalamos! Chocante!
Robin, Luis Fer e Chris



  

Monday, September 13, 2010

Peru – Day 3 – Santo Domingo de Los Olleros – 60 KM – 6 Horas

AA negociando um trecho de Areia

Grafico do maior downhill do mundo!
Acima de Olleros, sentindo a ar rarefeito a 3470 Metros

Um raro momento de empurra/carrega bike!

                  
             Esse foi o dia mais esperado, alias essa foi a trilha que deu origem a essa viagem. Santo Domingo de Los Olleros ou simplesmente Olleros e um povoado de uns 300 habitantes a 3200 metros de altitude na Cordilheira dos Andes Peruana. A aventura começou muito antes do que imaginávamos, e pedalar de 3437 metros ate zero (nível do mar do Pacifico) se mostraria apenas um detalhe. Primeiramente tínhamos que alugar uma caminhonete Hilux 4x4 cabine dupla já que o 4x4 e o único tipo de veículo que chega naquela altitude e tipo de terreno. Outra coisa e que não e qualquer 4x4 que esta preparado para fazer esse trecho, mas tão somente um “nuevo”, com motor forte, como descreveu nossa guia.
                  Nosso motorista contratado, “Senor Eduardo” era  “experiente” no assunto de dirigir nessas situações e o que era para ser uma tranqüilidade se transformou em desespero quando paramos a 800 metros de altitude para comprar pastilhas que combatem o “mal de altitude”.
                  Naquele momento, Luis Fernando também nos lembrou que deveríamos esvaziar os pneus das bicicletas, pois a pressão atmosférica aumentaria em muito o PSI dos pneus, o que levaria a seu possível estouro (o que ocorreu com o pneu da bike de Robin, que não foi devidamente esvaziado, exatamente porque subestimou o poder da altitude). Passamos também a ouvir relatos de pessoas que desistiram ou se acidentaram na trilha, o que só aumentou nossa apreensão e a vontade de enfrentar essa aventura!
Prova da presença na prefeitura de Olleros
Dali, percebi que a rota seria cada vez mais dura e pedimos ao AA que consultasse seu GPS com display de altitude para descobrirmos que em alguns pontos ganhava-se 2 a 3 metros de altitude a cada 10 metros que rolávamos, estava realmente a caminho do céu! O pior estava por vir já que à medida que costurávamos a montanha o Eduardo aumentava a velocidade e naquela rota rodeada hora por precipícios e paredões, hora por buracos sem fundo, imaginávamos que iríamos morrer a cada curva. O encontro com caminhões descendo a rota em nossa direção tomou um novo sentido quando o Luis Fernando nos convidou categoricamente a sairmos do carro cada vez que um caminhão passasse por nos já que eram freqüentes acidentes  quando veículos se cruzam em estradas como aquela. Outra coisa que percebi e que a altitude começou a nos afetar imediatamente depois que alcançamos 2500 metros de altitude. Veio certa sonolência e náusea por efeito da pressão atmosférica menor. Notamos também que tínhamos que parar a cada 30 minutos para todos urinarem ate chegarmos ao topo. Quando chegamos ao topo, o topo não era Olleros, mas sim uma fazendinha de uma família que criava ovelhas, um local que pareceu haver parado no tempo, seu nome era “Buena Vista” . 
Antes da saida para Olleros as 5:00 AM, hora de comprar frutas!
Paisagens mais ou menos bonitas!
Seguindo o mestre de Downhill!



                        Tínhamos agora que nos preparar para a descida depois de 5 horas dentro de um carro e com as bicicletas completamente tomadas pela poeira alem e claro de estarmos completamente tontos e já com fadiga muscular. Nesse momento liguei meu Garmin 305 e percebi que mesmo em repouso total meu coração batia a incríveis 105 BPM quando ao nível do mar fica próximo de 60 BPM. Não podíamos demorar muito para começar a descida já que quanto mais tempo naquela altitude pior e para seu corpo e a fadiga muscular seria inevitável. Nesse momento, Robin que já tinha feito a descida 10 vezes tomou as rédeas e pediu que nos o seguíssemos. Fizemos uma subidinha inicial de uns 30 metros pra começar aquele que e o maior downhill do mundo. Eu e o Chris já havíamos feito Porcupine Rim em Moab, Utah nos Estados Unidos, que começa a 3700 metros de altitude, mas que vai somente de volta a 1800 metros. Então percebi que nada ou nenhuma experiência previa haveria nos preparado para o que estava a vir. Estávamos rolando literalmente e não pedalando no topo de montanhas ate chegarmos em Santo Domingo de los Olleros. A necessidade para usar o freio era tão grande que se você soltasse o freio por uns 3 segundos duplicava a sua velocidade de forma assustadora. O terreno consistia de uma fina camada de areia sobre rocha, então era necessário tomar cuidado para não acelerar demais, pois frear não seria fácil. Pela menor pressão atmosférica e por estarmos ainda um pouco tontos, tínhamos que triplicar a atenção já que não se tinha noção exata da velocidade que você se encontrava ate você ter que frear e tombos seriam inevitáveis e muito perigosos se você se colocasse em uma situação em que teria que frear em uma emergência. Seguimos descendo e freando e entre curvas e retas, a necessidade de pedalar era mínima. Nesse momento percebi o tanto que uma bicicleta all-mountain faz a diferença, já que embora soubessem do talento do Chris em downhills, nunca tínhamos enfrentado uma descida tão longa. E não era possível segui-lo nem mesmo por 50 metros. Com sua Cannondale Prophet de 130 MM ele ia descendo como se estivesse flutuando por cima das pedras, inclusive induzindo o nosso guia (Robin) ao erro e quedas, já que ele teve que acelerar para tentar tirar o Chris de seu encalço. O domínio era tao grande que o Chris chegou ao fim da parte técnica coisa de 15 minutos na minha frente. A parte mais difícil seria a penúltima parte da descida que era uma mistura de areia com rochas grandes rodeando um paredão com uma queda de uns 500 metros. Nessa parte, eu e o AA resolvemos não nos arriscar e chegarmos vivos ao nosso destino final. Cruzamos ai o que eles chamam de “Guaico”, ou rio seco no bom português e iríamos para aquela que seria a minha parte favorita. Começava ai 38 km de descida de 1160 metros ate o mar. O interessante e que seriam 38 km de uma descida bem suave, só o suficiente inclinado para fazer dessa um final de trilha super interessante e cheia de obstáculos naturais dentro desse rio seco. As rampas eram constantes entrando e saindo de falhas no terreno e o vento contra prometido por Robin estava la para fazer a sua parte. Dali fomos nos revezando constantemente e formamos um pelotão para vencermos o vento e a fadiga e aconteceu algo que seria uma constante nessas trilhas, fizemos uma chegada de sprint Peru X Brasil com o Brasil levando a melhor nessa primeira edição. Finalmente chegamos ao asfalto e cruzamos em ritmo de festa e papo furado ate ao bar de frente a praia aonde tomamos uma Cuzquena geladíssima!

Antonio Alberto (AA) e as bikes ja cobertas de poeira antes de comecar!


Sunday, September 12, 2010

Peru Epic - La Vuelta al Valle de Pachacamac - Day 2 - 50Km – 4hs

                        Depois do “avaliador de forcas” do primeiro dia, ficamos pensando o que iria envolver essa volta ao Vale de Pachacamac. Pessoalmente não pensei que poderia ser pior já que depois de 1100 metros de subida, o que mais poderíamos esperar?  Logo no inicio da trilha fizemos uma reunião rápida do que deveríamos esperar e ficou claro que seria outro dia duro, mas com uma particularidade. Uma parte de 6 km de trilha de um elevado de 1 metro de largura que circulava a montanha em toda a sua extensão. Foi construída exatamente para oferecer um desafio extra aos Mountain Bikers. Para descrever melhor, do lado esquerdo era uma queda que variava entre 10 e 30 metros de altura e do lado direito um paredão de rocha com uma vala de 1,5 metros de profundidade. Em alguns pontos para complicar a situação, você tinha que passar em pontes e elevados de madeiras roliças que eram ainda mais estreitos. A dificuldade aumentava a medida que você tinha que entender que não poderia colocar os pes no chão em uma situação de emergência, já que poderia não ter espaço para fazê-lo. A única opção era manter uma velocidade e direção com fluidez. 
                      Nesse dia também apareceu o grupo local de amigos do MTB de Luis Fernando e Robin. Éramos como 10 na trilha e revezamo-nos entre momentos de velocidade e trafego em alguns pontos dependendo da dificuldade. Quanto a temperatura nesse dia chegou a 12C com a máxima de 18C nos momentos mais quentes do dia, exigindo o uso continuo das capas que bloqueavam o vento. Outra coisa que tem que ser mencionada e que novamente nos deparamos com um paredão de 30 graus de inclinação que foi um divisor de águas já que só conseguimos transpor empurrando a bicicleta. O ganho total de altitude foi de 450 Metros. 


Bart Gillespie estava presente tambem de uma maneira diferente
People that we know
Paradinha para comer
Rede de Trilhas de singletrack
Robin pousando para fotos!
Chris apontando a direcao a ser seguida!
Criando coragem pra me jogar 250 metros morro abaixo!
AA abrindo o caminho!