Monday, September 13, 2010

Peru – Day 3 – Santo Domingo de Los Olleros – 60 KM – 6 Horas

AA negociando um trecho de Areia

Grafico do maior downhill do mundo!
Acima de Olleros, sentindo a ar rarefeito a 3470 Metros

Um raro momento de empurra/carrega bike!

                  
             Esse foi o dia mais esperado, alias essa foi a trilha que deu origem a essa viagem. Santo Domingo de Los Olleros ou simplesmente Olleros e um povoado de uns 300 habitantes a 3200 metros de altitude na Cordilheira dos Andes Peruana. A aventura começou muito antes do que imaginávamos, e pedalar de 3437 metros ate zero (nível do mar do Pacifico) se mostraria apenas um detalhe. Primeiramente tínhamos que alugar uma caminhonete Hilux 4x4 cabine dupla já que o 4x4 e o único tipo de veículo que chega naquela altitude e tipo de terreno. Outra coisa e que não e qualquer 4x4 que esta preparado para fazer esse trecho, mas tão somente um “nuevo”, com motor forte, como descreveu nossa guia.
                  Nosso motorista contratado, “Senor Eduardo” era  “experiente” no assunto de dirigir nessas situações e o que era para ser uma tranqüilidade se transformou em desespero quando paramos a 800 metros de altitude para comprar pastilhas que combatem o “mal de altitude”.
                  Naquele momento, Luis Fernando também nos lembrou que deveríamos esvaziar os pneus das bicicletas, pois a pressão atmosférica aumentaria em muito o PSI dos pneus, o que levaria a seu possível estouro (o que ocorreu com o pneu da bike de Robin, que não foi devidamente esvaziado, exatamente porque subestimou o poder da altitude). Passamos também a ouvir relatos de pessoas que desistiram ou se acidentaram na trilha, o que só aumentou nossa apreensão e a vontade de enfrentar essa aventura!
Prova da presença na prefeitura de Olleros
Dali, percebi que a rota seria cada vez mais dura e pedimos ao AA que consultasse seu GPS com display de altitude para descobrirmos que em alguns pontos ganhava-se 2 a 3 metros de altitude a cada 10 metros que rolávamos, estava realmente a caminho do céu! O pior estava por vir já que à medida que costurávamos a montanha o Eduardo aumentava a velocidade e naquela rota rodeada hora por precipícios e paredões, hora por buracos sem fundo, imaginávamos que iríamos morrer a cada curva. O encontro com caminhões descendo a rota em nossa direção tomou um novo sentido quando o Luis Fernando nos convidou categoricamente a sairmos do carro cada vez que um caminhão passasse por nos já que eram freqüentes acidentes  quando veículos se cruzam em estradas como aquela. Outra coisa que percebi e que a altitude começou a nos afetar imediatamente depois que alcançamos 2500 metros de altitude. Veio certa sonolência e náusea por efeito da pressão atmosférica menor. Notamos também que tínhamos que parar a cada 30 minutos para todos urinarem ate chegarmos ao topo. Quando chegamos ao topo, o topo não era Olleros, mas sim uma fazendinha de uma família que criava ovelhas, um local que pareceu haver parado no tempo, seu nome era “Buena Vista” . 
Antes da saida para Olleros as 5:00 AM, hora de comprar frutas!
Paisagens mais ou menos bonitas!
Seguindo o mestre de Downhill!



                        Tínhamos agora que nos preparar para a descida depois de 5 horas dentro de um carro e com as bicicletas completamente tomadas pela poeira alem e claro de estarmos completamente tontos e já com fadiga muscular. Nesse momento liguei meu Garmin 305 e percebi que mesmo em repouso total meu coração batia a incríveis 105 BPM quando ao nível do mar fica próximo de 60 BPM. Não podíamos demorar muito para começar a descida já que quanto mais tempo naquela altitude pior e para seu corpo e a fadiga muscular seria inevitável. Nesse momento, Robin que já tinha feito a descida 10 vezes tomou as rédeas e pediu que nos o seguíssemos. Fizemos uma subidinha inicial de uns 30 metros pra começar aquele que e o maior downhill do mundo. Eu e o Chris já havíamos feito Porcupine Rim em Moab, Utah nos Estados Unidos, que começa a 3700 metros de altitude, mas que vai somente de volta a 1800 metros. Então percebi que nada ou nenhuma experiência previa haveria nos preparado para o que estava a vir. Estávamos rolando literalmente e não pedalando no topo de montanhas ate chegarmos em Santo Domingo de los Olleros. A necessidade para usar o freio era tão grande que se você soltasse o freio por uns 3 segundos duplicava a sua velocidade de forma assustadora. O terreno consistia de uma fina camada de areia sobre rocha, então era necessário tomar cuidado para não acelerar demais, pois frear não seria fácil. Pela menor pressão atmosférica e por estarmos ainda um pouco tontos, tínhamos que triplicar a atenção já que não se tinha noção exata da velocidade que você se encontrava ate você ter que frear e tombos seriam inevitáveis e muito perigosos se você se colocasse em uma situação em que teria que frear em uma emergência. Seguimos descendo e freando e entre curvas e retas, a necessidade de pedalar era mínima. Nesse momento percebi o tanto que uma bicicleta all-mountain faz a diferença, já que embora soubessem do talento do Chris em downhills, nunca tínhamos enfrentado uma descida tão longa. E não era possível segui-lo nem mesmo por 50 metros. Com sua Cannondale Prophet de 130 MM ele ia descendo como se estivesse flutuando por cima das pedras, inclusive induzindo o nosso guia (Robin) ao erro e quedas, já que ele teve que acelerar para tentar tirar o Chris de seu encalço. O domínio era tao grande que o Chris chegou ao fim da parte técnica coisa de 15 minutos na minha frente. A parte mais difícil seria a penúltima parte da descida que era uma mistura de areia com rochas grandes rodeando um paredão com uma queda de uns 500 metros. Nessa parte, eu e o AA resolvemos não nos arriscar e chegarmos vivos ao nosso destino final. Cruzamos ai o que eles chamam de “Guaico”, ou rio seco no bom português e iríamos para aquela que seria a minha parte favorita. Começava ai 38 km de descida de 1160 metros ate o mar. O interessante e que seriam 38 km de uma descida bem suave, só o suficiente inclinado para fazer dessa um final de trilha super interessante e cheia de obstáculos naturais dentro desse rio seco. As rampas eram constantes entrando e saindo de falhas no terreno e o vento contra prometido por Robin estava la para fazer a sua parte. Dali fomos nos revezando constantemente e formamos um pelotão para vencermos o vento e a fadiga e aconteceu algo que seria uma constante nessas trilhas, fizemos uma chegada de sprint Peru X Brasil com o Brasil levando a melhor nessa primeira edição. Finalmente chegamos ao asfalto e cruzamos em ritmo de festa e papo furado ate ao bar de frente a praia aonde tomamos uma Cuzquena geladíssima!

Antonio Alberto (AA) e as bikes ja cobertas de poeira antes de comecar!


1 comment:

  1. Pronto!
    Agora que desceram, é hora de subir!

    Caraca, que vontade de ter ido com vocês...

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